Denis Dupont, o “diabo vermelho”

Piloto profissional, Denis Dupont simboliza o sucesso do Royal Automobile Club da Bélgica (RACB). Aos 25 anos, representa a sua terra natal ao mais alto nível no mundial de Turismos, o WTCR Oscaro.

« As 24 horas de Spa ». Eis o que Denis Dupont responde, quando lhe perguntam o que motivou a sua paixão pelo automobilismo. Ainda “miúdo”, descobriu, graças ao pai, uma das corridas mais emblemáticas do mundo: “Fomos lá todos os anos. O meu pai tinha lugares muito bons e eu adorava ver carros. Quando penso nisso, sempre foi uma experiência maravilhosa “, diz Denis.

Hoje, a criança dos sonhos deu lugar ao homem, ao piloto. Aquele que cresceu “assistindo ao WTCC na TV, na época de Dirk e Jorg Muller”, agora defende as cores da Bélgica nos circuitos da FIA WTCR Oscaro. Ao volante do Audi RS3 LMS TCR preto, amarelo e vermelho, aponta ao décimo quinto lugar na classificação, a duas rondas do final da temporada.

“La fédé, Ô mère chérie !”

Para aqui chegar, o número 20 contou com um apoio considerável, o da RACB, a federação belga do automóvel.“Quase todos os anos, a federação organiza uma competição para ganhar um lugar seja num monolugar, num rali ou numa corrida de turismos. Eu ganhei o da última categoria”, explicou.

No final de 2015, o belga passa o concurso. Inicialmente, são 565 participantes. Depois de passar com sucesso a prova no simulador, entrevistas e exercícios, segue para a final que obriga a mostrar as capacidades num circuito. Excecionalmente, naquele ano, dois pilotos venceram a competição: Denis Dupont e Sam Dejonghe. Como recompensa, ganham um lugar no Campeonato de Carros de Turismo, Benelux. Juntos, e ao volante de um Seat Leon TCR, os dois homens terminaram no terceiro lugar da competição, em 2016. “No final da temporada, sabíamos que apenas um de nós ficava … E foi eu quem teve essa sorte”, lembra o piloto Comtoyou. O resultado está à vista. Dupont é desde este ano, o representante da Royal Automobile Club da Bélgica no WTCR Oscaro.

Piloto de dia, estudante à noite

Mas, já no próximo ano, se participar no WTCR Oscaro 2019, Dupont terá de emancipar-se. “A federação julga que o seu trabalho está concluído. Agora que sou piloto no maior campeonato de carros de turismo do mundo, ela vai organizar uma nova competição. Vai procurar um novo talento para patrocinar e acompanhar ao mais alto nível. Este sistema é excecional para um país pequeno como o nosso”, frisou.

Além de ser um piloto de alto nível, Dupont também possui um mestrado no ICHEC (Escola de altos estudos comerciais) em Bruxelas. Estudos que teve de conciliar com o automobilismo: “No começo, estudava durante o dia. Depois, comecei a ter aulas noturnas para poder continuar a pilotar”, lembra o jovem. Uma experiência que poderia ser desafiante para alguns, mas que o belga vê como um “capítulo diferente da sua vida”. Acrescenta: “Eu sei o que é a vida de um atleta de topo, mas também sei o que é a vida de estudante, com as festas que a acompanham”.

No circuito!

Denis Dupont iniciou a sua carreira no automobilismo aos 14 anos. Depois de uma década a jogar futebol na região de Bruxelas, compra um chassis de kart. “No começo foi só por diversão”, diz o belga. “Depois participei  numa corrida que ganhei e noutra corrida que venci novamente. Entrei num campeonato em KF2 e participei em competições internacionais. Conclusão: seis meses depois estava a pilotar monolugares em Le Mans”.

 

Denis tinha então 15 anos. Só falhou o “concurso monolugar” organizado pelo RACB, perdendo na final. No entanto, a sua carreira é lançada: “A partir daí, comecei a entender que o compromisso era sério e procurei financiamento”.

 

O resultado é simples: um diploma universitário, a participação na Nascar Europa com a equipa Marc VDS, a vitória num concurso, duas temporadas no TCR Benelux, e hoje o WTCR Oscaro, um campeonato onde Denis Dupont espera “ter uma longa carreira, como Gabriele Tarquini ou Yvan Muller “.

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