Rali de Roma: chegou a hora de Bruno Magalhães

A quatro rondas do final do Campeonato Europeu FIA de Ralis, Bruno Magalhães segue na frente com 98 pontos. Em Itália, palco do Rali di Roma Capitale, o piloto português ostenta o número 1 no seu Skoda Fabia R5 e uma estratégia: consolidar a liderança. Tudo em nome do título que lhe escapou em 2017. Ao lado do navegador, Hugo Magalhães, Bruno vai fazer de tudo para que a missão seja cumprida.

 

Um líder racional e com coração 

Bruno Magalhães sempre lutou pelo que quer e sempre se guiou pela paixão. Uma delas foi inevitável muito graças ao pai, Augusto Magalhães, que era piloto amador de ralis. “Comecei a ver ralis com cinco anos”, confessou-nos. O discurso de Bruno é determinado, tal como a sua personalidade. Mesmo por telefone, deixa-nos a marca. Na verdade, é necessário ter uma personalidade forte para conseguir triunfar numa profissão tão exigente e algo ingrata. “Sou um piloto apaixonado. Para competir em ralis é necessário ter paixão e persistência. Sem isso não é possível ultrapassar as dificuldades de um desporto que é muito caro”, admitiu.

Hoje com 38 anos, Bruno tem muito para ensinar. Sobretudo no que diz respeito a persistência. “Sinto-me um privilegiado”, confessou. “Conquistei tudo em Portugal, desde campeonato nacionais a vitórias em provas internacionais que ocorreram no nosso país, como o Rali de Portugal ou o Rali Vinho Madeira”, explicou. Depois veio o FIA ERC, com toda a paixão, drama e ação.

Sangue, suor e lágrimas

O ano passado foi marcante para Bruno Magalhães. Ao lado do navegador, Hugo Magalhães, o piloto português fez excelentes exibições e esteve até muitoperto de conquistar o campeonato. Infelizmente, na última etapa do campeonato, acabaria por sofrer um acidente que o atiraria para fora de jogo. Na sexta e penúltima especial do Rali da Letónia,  ao entrar numa curva com o piso totalmente coberto de água, Bruno perdeu o controlo do carro e embateu com muita força numa árvore.

Apesar do desfecho dramático, o piloto sagra-se vice-campeão ERC, perdendo o título para o polaco Kajetan Kajetanowicz.

Mas, Bruno não baixou os braços e continuou a batalhar para conseguir chegar ao objetivo. Depois da dura tarefa de reunir os meios necessários – que são sempre poucos – o piloto arrancou para mais uma temporada do FIA ERC com fome de conquistas. “O ERC foi um passo em frente na minha carreira e ainda é uma fase de aprendizagem muito grande. Temos [com Hugo Magalhães] conseguido gerir bem”, contou o português que não se sente nem azarado…nem um sortudo.

Um homem sem superstições 

Se para uns, varrer os fantasmas do passado é necessário para seguir em frente, Bruno prefere…aprender com eles. O que aconteceu no ano passado serviu de lição para o piloto de 38 anos que confessou não se deixar levar por rituais antes de entrar no seu carro. “Não me agarro a superstições”, assumiu. “Se o fizesse, depois acabaria por me distrair. Tenho apenas alguns procedimentos normais”, contou. Ainda assim, descobrimos que o piloto tem uma espécie de amuleto da sorte e não se trata de ter um navegador com o mesmo apelido. “Nos ralis, uso mesmo relógio que a minha mãe me ofereceu quando fiz 18 anos. É um Camel tradicional”, assumiu.

Aparentemente, funciona. É que em 1999, com então 18 anos, Bruno estreou-se com um desempenho notável ao volante de um carro de ralis no Rali Portas de Ródão. Esperemos que este ano, o relógio indique (finalmente) a hora da conquista do título.

"Sou um piloto apaixonado. Para competir em ralis é necessário ter paixão e persistência"

Hugo Magalhães, uma espécie de irmão

Fisicamente, Bruno e Hugo não são minimamente parecidos. Ainda assim, há quem continue a pensar que piloto e navegador são irmãos. O facto de partilharem o mesmo apelido é a grande causa para a confusão. Os dois já estão habituados ao equívoco e não se deixam incomodar. Até porque se consideram irmãos. “O Hugo é tão focado como apaixonado por ralis, quanto eu”, revelou. “Trabalhamos muito juntos e nunca é tarde para acertar detalhes quando estamos em prova. Melhorámos as nossas notas (road book) e evoluímos bastante mesmo com falta de meios para conseguir o que queremos”, disse.

Para Bruno, a compatibilidade é chave para uma boa relação piloto/navegador. Afinal, é a pessoa com quem passa mais tempo durante as provas… e fora delas. (risos) “Para estar uma semana sempre com a mesma pessoa é necessário companheirismo e, preferencialmente, amizade”, sublinhou.

Em harmonia, os dois seguem para mais uma prova do FIA ERC: o Rali di Roma Capitale que traz este ano algumas novidades…

Nova data, nova concorrência

Se em 2017, o Rali de Roma decorreu em setembro, este ano a etapa italiana tem lugar em pleno verão. O cenário muda assim completamente de figura, pois neste rali de asfalto (sprint) o tempo mais seco que o habitual pode estragar os planos a muitos concorrentes. Contudo, não será o clima o principal adversário de Bruno e companhia. A prova antevê-se muito disputada para além de integrar o Europeu Júnior vai também contar para o Campeonato Italiano de Ralis e Bruno sabe que a “jogar em casa”, os italianos prometem complicar as contas. “Estamos confiantes num bom resultado, apesar da concorrência”, frisou. “Os pilotos italianos conhecem bem o traçado, além de que todos sabemos que Campeonato italiano é altamente competitivo”.

Apesar das cautelas, Bruno e Hugo têm um objetivo. “Esperamos chegar ao pódio, como no ano passado. Mas, o mais importante são as contas do Campeonato. Queremos manter a liderança”, concluiu.

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