Reconhecimentos em rali : instruções

A dois dias do rali da Suécia (WRC) e a um mês do regresso do Campeonato Europeu de Ralis nos Açores (ERC), explicamos uma das etapas fundamentais da disciplina: reconhecimento, ou a possibilidade de descubrir a estrada antes da competição. Descrição de Pierre-Louis Loubet e Vincent Landais.

Maio de 2018, num hotel no centro de Las Palmas, Gran Canarias. Depois de um dia de competição, a contar para a segunda ronda do Campeonato Europeu de Ralis 2018, Pierre-Louis Loubet, piloto do ERC e WRC2, junta-se ao seu co-piloto, Vincent Landais, que fica a dois quartos de distância. Sem perder um segundo, os dois homens sentam-se em frente ao computador na mesa da sala. “Vamos assistir às imagens que filmámos durante os reconhecimentos das etapas de amanhã. O objetivo é sermos os mais precisos possíveis nas nossas anotações no dia da competição”, explica Vincent.

Para reconhecer o terreno, as equipas só têm direito a duas passagens para cada etapa, todas num carro “civil”. “Não é suficiente, para analisar e trabalhar as trajetórias. Filmar a estrada, durante as sessões de reconhecimento, torna-se um fator obrigatório”, disse o navegador.

Para cada etapa do rali, os companheiros de equipa assistem ao vídeo das suas passagens “em branco” duas vezes: no dia da primeira recolha de dados e na véspera da etapa em questão. “Filmamos a estrada e o dispositivo de medição, o que nos permite rever as distâncias”, diz Landais. “Assistimos ao vídeo e ao mesmo tempo eu recito as notas que Pierre-Louis me disse durante o reconhecimento. Se ele percebe que a informação está errada, ele avisa-me e eu corrijo. “

Durante a corrida, o navegador relê ao piloto todas as notas ditadas por ele. O piloto neste caso, Pierre-Louis Loubet, deve, portanto, estar confiante nas suas escolhas. E em apenas duas passagens (mais o vídeo), trabalhar numa trajetória, velocidade, distância e até ângulos. Portanto, a questão fundamental é: como conseguem fazê-lo em tão pouco tempo?

« Confiar »

Pierre-Louis Loubet admite ter feito essa pergunta muitas vezes no seu início de carreira e revelou-nos a solução: “Devemos confiar nos nossos sentimentos simplesmente. É um sentimento, vem sozinho. Se chegarmos a 140 km/h a uma curva, sabemos exatamente quando temos que travar. Só temos que confiar em nós próprios “, frisou.

No rali, mais do que em qualquer outro desporto motorizado, o menor erro pode ser fatal e levar a uma saída na estrada. Portanto, não há espaço para dúvidas. “Se durante os reconhecimentos pensei que era 140, curto, profundo, então é preciso ir a fundo. Oiço o meu navegador e dou tudo”, confessou o piloto de 22 anos, admitindo ainda que, às vezes, questiona se as suas decisões serão “as mais corretas no dia D“.

Tudo melhora com experiência“, salientou o piloto nascido em Porto-Vecchio, Córsega. “No ERC, as etapas são muitas vezes as mesmas para cada edição. Se fizermos o rali dos Açores todos os anos, por exemplo, vamos conhecer o troço cada vez melhor e, logicamente, ir mais rápido “.

Mas às vezes, o reconhecimento não é suficiente e o piloto tem a impressão de conduzir às cegas. Foi o que sentiu Loubet durante o seu primeiro rali na Finlândia (o rali mais rápido no calendário do WRC). Ele lembra: “Há solavancos e não vemos o que está por trás. Durante os vinte minutos de tirada, estamos constantemente com a adrenalina no máximo e com medo. Quando saí do carro, estava a tremer. Hoje é diferente. Sei como lidar com isso. “

É neste exato momento que um ponto essencial mencionado anteriormente surge: a autoconfiança. “Se estás 100% seguro de ti e estás a fazer tudo, não há razão para pensar no pior”, acrescenta Pierre-Louis Loubet.

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