Tiago Monteiro, o guerreiro voltou

Passou muito tempo, 415 dias para ser mais preciso, desde que Tiago Monteiro sofreu o grave acidente em setembro de 2017. Pelo caminho perderam-se pontos, alguma fé e paciência, mas o tempo tem uma particularidade: cura tudo. E bem utilizado consegue mesmo fazer milagres. Passados 415 dias, Tiago Monteiro volta ao WTCR Oscaro e num circuito bem especial.

O tempo cura tudo

A cultura japonesa está recheada de saber e filosofia. Filosofia, essa, que coloca o equilíbrio humano (corpo e mente) no patamar mais alto das prioridades. Entre as várias palavras sábias encontramos este ditado: “Saiba esperar o momento certo, e o tempo propício para navegar virá”.

Frase adequada ao piloto Boutsen Ginion Racing, Tiago Monteiro. Recuperado, seguro de si mesmo e com os chakras alinhados, o português está de regresso ao volante do seu Honda no Circuito de Suzuka, Japão, nos dias 27 e 28 de outubro.

“Eu não posso nem começar a dizer como é bom estar de volta. Houve momentos em que a situação parecia muito sombria, mas nunca perdi a esperança de que esse dia chegaria e que me manteve determinado a me esforçar mais do que nunca para voltar aonde gostaria de estar”, disse Tiago.

O seu coração está cheio, mas houve momentos de alguma angústia. Porque o tempo demora a passar quando nos vemos privados de algo que amamos. “Assistir aos fins de semana durante o ano todo e ver outras pessoas a fazer o que deveria estar a fazer, rasgava-me por dentro. Por isso, acho que Suzuka vai ser bem emocional.”

Graças à família, os amigos e um intensivo programa de treino preparado ao milímetro com o preparador físico Emiliano Ventura, o piloto de 42 anos reergueu-se. Nada foi deixado ao acaso para a recuperação que muitos pensavam ser impossível.

“As dificuldades são como as montanhas. Elas só se aplainam quando avançamos sobre elas”, provérbio japonês.

Setembro de 2017, Tiago Monteiro está em treinos em Barcelona com a equipa Honda. Faltavam 10 minutos para terminar a sessão, mas o destino quis pregar uma partida. Pois “ele” também é impaciente. A uma velocidade de 255 km/H, o Honda Civic WTCC de Tiago bateu de traseira e de lado nas barreiras da primeira curva no final da reta da meta, depois duma falha dos travões. O impacto foi muito violento e deixo o português KO. Ficaram marcas físicas e psicológicas que precisavam de algum tempo para curar. Além da recuperação dura, Tiago teve de enfrentar um obstáculo: a paciência. Um desafio superado.

“Até a jornada de mil milhas começa com um pequeno passo”, provérbio japonês

O fato ainda serve e o capacete também. Quase nada mudou para Tiago Monteiro que, embora mais sábio, tem apenas um cenário diferente a rodeá-lo. Um campeonato diferente do WTCC, com novas personagens e alguns detalhes que apenas vividos ao volante, são percetíveis.

Para que se sinta bem e em segurança, o português optou pela sua segunda casa, o japão. Suzuka será o palco de um regresso há muito aguardado. Um regresso que traz memórias. “O facto de voltar ao circuito caseiro da Honda – o mesmo lugar onde comecei meu primeiro WTCC em 2012 – também é muito especial e uma ótima maneira de retribuir a fé e o apoio que eles me mostraram ao longo do meu período de recuperação”.

Quanto ao objetivo, esse é simples. “Não estou definindo metas. Só quero me divertir, me sentir confortável e pilotar no meu próprio ritmo antes de voltar em tempo integral em 2019, e isso – junto com o conselho dos médicos – é o porquê de eu não fazer Macau. Sou muito grato aos profissionais que me ajudaram na minha recuperação, minha família, amigos e apoiantes; todos vocês foram incríveis durante esse período difícil”, explicou.

O pior já passou e Tiago está por fim de volta. E como se diz em bom japonês. “Onde há determinação, há caminho”.

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